Contos EcoEróticos
ATRAÇÃO VEJETAL
Gilberto Andrade
ATRAÇÃO VEJETAL
Gilberto Andrade
Em um belo dia de sol, brotou em Galho Grosso uma linda e delicada Galhinha Fina, toda assanhada, daquelas de chamar atenção de todos os seres vivos que alí habitavam. Desde nova, Galhinha Fina se rebolava toda para Vento Leve que vivia soprando suas folhas. Ela chiava de prazer e se curvava toda.
Passada algumas estações do ano, ela já adolescente, caía de corpo e galhas por cima de Galho Grosso, que mesmo firme em sua posição, soltava lânguidos rangidos para ela, que recuava toda assustada.
Chegou o Outono trazendo com ele Ventania, sujeitinha sacana, empurrando Galhinha Fina cada vez mais para cima de Galho Grosso, que não resistiu aos abraços da própria irmã, se apaixonando firmimente por ela.
As Palmeiras, individualistas toda, comentavam indignadas aquela falta de vergonha entre os irmãos vejetais. Algumas mais emancipadas admitiam que Galhinha era muito linda e bem feita, com aquela cinturinha fina, folhinhas brilhantes e maleáveis, tornando impossível qualquer galho resistir a tão bela galhinha.
Galhinha era muito atirada, porém ligadíssima em Galho Grosso que a amava profundamente. Mecheu com ela mexia com ele também. Formavam um lindo casal, viviam grudados um no outro e se lixavam para os comentários das Palmeiras , preconceituosas, pois tinham pleno conhecimento que o amor vejetal é bem superior e totalmente diferente do amor animal. De iníco não há separação entre os casais vejetais, depois são muito amáveis e pacíficos. Todos os vejetais aprovam e até incentivam a reprodução entre família. O certo é que, nem Galhinha Fina, nem Galho Grosso, tinham outra opção já que moravam separados de outras plantas. Só o que incomodava mesmo Galhinha era as Primaveras, trepadeiras atiradas que viviam jogando flores vermelhas e dando em cima de Galho Grosso, que se entortava todo para o lado delas. Isso deixava Galhinha Fina verde de ciúmes, dando rabissacas para todos os lados.
Paralelo e Listradinha, um casal de calangos superapaixonados, viviam dando nós cegos sobre seus galhos, depois caíam desorientados e balaçavam a cabeça num gesto de aprovação e partia um para cima do outro, tal qual Galho e Galhinha faziam quando Ventania passava com o Outono.
Quem passava por alí, comentava admirado: “Olha! Que planta linda e viçosa!.” Era mesmo, até que um lenhador veio morarar em Mata Virgem, a comunidade vejetal que o casal habitava. O resto dá para imaginar; Brasinha Fina se queimou toda para acender Carvão Grosso e os dois viraram cinza.

